28 de jul de 2009

Poetas entre Nuvens

(Para Manoel Fernandes)
te encontro entre nuvens de uma tarde fugaz
num canto solitário do céu...
você decifrava letras de algodão
eu ouvia músicas vindas de roldão

palavras escondidas de nós mesmos
parlavam parlendas repetidas infinitas
nossos olhos não se olharam
ensimesmados nas mesmices dos dias

um acaso no ocaso ria do que sabia
nos falaríamos no mesmo dia
sentaríamos no mesmo banco
comeríamos do mesmo prato, quem diria...

dormiríamos sob o mesmo céu
do sol que viria sorrindo do que já sabia
envoltos em nossas roupas
suávamos em navilouca olhando, ouvindo

tomando café em uma tela numa cela
pensando, escrevendo juntos
o poema que nascia
daquela nuvem naquele dia

lembrando que poetas não sentam à toa em nuvens
mas fazem delas canoas para navegar ao céu
e assim escrever em estrelas que brilham ao sol
enquanto o mundo corre sob o clarão da lua...

fica o poema da nuvem refletida num dia de vôo de quimeras....

10 de jul de 2009

A Academia Palmense de letras está em luto. Faleceu Dr. José Maria de Araújo Perpétuo, nosso ilustre Confrade, membro Fundador da APAL.



HOMENAGENS PÓSTUMAS AO DR. JOSÉ MARIA DE ARAÚJO PERPÉTUO

Estamos aqui hoje para prestar homenagens póstumas ao mais ilustre Confrade da Academia Palmense de Letras, Dr. José Maria de Araújo Perpétuo. Graças a ele, ao seu trabalho criativo, seu incentivo ímpar, trazendo o saudoso Presidente da Academia Paranaense de Letras, Dr. Túlio Vargas, no ano 2000, conseguimos criar a APAL.
Reconhecidamente é a ele que se deve a fundação de nossa Academia. É a ele a quem agradecemos neste dia, procurando palavras para lhe dizer o quanto somos reconhecidos em nome da cultura palmense.
Dr. José Maria esteve sempre à frente de muitas batalhas, em prol de causas humanitárias, em prol dos que precisavam de ajuda, qualquer que fosse a situação, ou classe social; lá estava ele, enfrentando e ajudando em tudo o que lhe fosse possível. Combateu o bom combate e hoje descansa junto aos heróis que assim também pautaram suas vidas.
O que representa Morrer para nós? Morrer para nós deve representar o retorno para nossa vida principal que é junto a Deus. Mas sabemos que é também deixar para trás grandes amizades, saudades de familiares e de toda uma vida plena de boas vivências.
Assim vemos Dr. José Maria de Araújo Perpétuo, hoje, alguém que retornou a Deus, alguém que foi muito especial para Palmas, que deixa saudades de familiares, grandes amizades, e a história de toda uma vida administrada em favor do semelhante, uma história de grandes aprendizados e vivências em nome do Divino Mestre, Jesus, alguém com uma vida plena de exemplos a serem seguidos.
Ao se despedir de nós leva com ele os seus atos, seus melhores sentimentos de ter feito o possível de acordo com suas limitações e deixa conosco toda uma trajetória de vida digna, bem vivida, segundo os preceitos divinos.
Dr. José Maria sempre demonstrou paciência e amor em suas ações, transmitiu seu amor ao próximo, aceitando suas dores e sofrimentos, tentando amenizá-las, através do seu ofício na medicina. Com certeza, ele buscou a intuição do alto, para o alívio de suas dores e conflitos internos, mas também das dores alheias. Ele buscou, encontrou e viveu os caminhos da misericórdia divina.
Não desistiu de seus sonhos, criou em volta dele uma luz Divina para ter sempre esperança, força para a luta e fé num amanhã melhor. E ensinou a evolução, como ser humano, através da caridade e do amor.
Dr. José Maria ficou conhecido como o médico também dos pobres. Nunca deixou de atender alguém por sua condição financeira. E, talvez, por essa vontade de ajudar o próximo, tenha entrado na política, onde, por duas gestões administrou nossa cidade. Aqui também deixou muitas marcas, que sobreviverão ao nosso tempo e ao tempo que virá depois dos que vierem após nós.
Quando olhamos para trás não vemos um Doutor, distanciado dos homens comuns, não vemos a soberba e a ganância permeando sua história, o que vemos é um homem, um ser humano acima dos normais, acima porque esqueceu-se de si em favor da causa que abraçou. Hoje nós o abraçamos, numa despedida que não é a final, sabemos que ele permanecerá em nossos corações, com as lembranças que nos deixa: Sua voz sempre calma, tranqüila, seu jeito de olhar, sempre nos nossos olhos, como alguém que enxerga além das aparências e entende nossas dores; o seu toque de mãos, suave, apertando outras mãos num cumprimento sincero e seguro. Seu jeito de andar, sem pressa, num compasso de quem sabe qual é o tom da música e o toque do relógio, que nunca pára, mesmo quando não temos tempo. Ele sabia esperar. Ele sempre soube que tudo tem um tempo certo, assim como o tempo dos nascimentos, incontáveis nascimentos que viram a luz através de suas mãos, as mãos abençoadas do médico que nasceu para ajudar.
O prêmio não é para quem começou bem, mas para quem persevera até o fim. Ele perseverou, enquanto pôde, esteve ao lado dos que os procuraram, atendendo-os, sempre com carinho e disposição.
O Médico, o político, o homem, era também um poeta. Alguém que pensava com a alma e com o coração. Alguém dedicado às Letras, e graças a isso ajudou a criar a Academia Palmense de Letras, da qual é membro fundador. Disse ele, em uma de suas poesias ao lajeado de Palmas:

LAJEADO

ONTEM, LÍMPIDO, POTÁVEL
ONDE PODIA-SE NADAR EM
POÇOS TRANSLÚCIDOS COM
PEIXES EM DELICADAS DANÇAS.

Dizemos nós na Poesia de Lucy Nazaro:


Num longínquo tempo de Palmas
Em nossos campos gerais, vivia um menino
Mal sabia ele que viveria toda uma vida nesta terra vermelha.

Em sua alegria de infância espalhou sorrisos,
Viveu gestos e vontades, se fez jovem,
Pela primeira vez se ausentou de nós.

Uma universidade, um sonho, um dom
O transformaram no homem que para cá voltou
Nestes campos construiu seu ninho, uma família feliz
Com muito carinho, aqui ficou, trilhou seu caminho.

Um homem, um médico, um político, uma história
Plena de lutas, de sonhos, de glórias
Não a glória do poder ou do dinheiro
Mas a de uma mente maior, mente de pioneiro!

Um ser que passou, medicando almas e corpos
Ausenta-se novamente de nosso convívio
Agora não haverá uma universidade, é outro o seu caminho
Trilha nos campos do céu uma nova história.

Mas sua marca sobrevive com os louros da vitória
De quem soube fazer de sua vida uma vida especial
Mostrou que é um ser que brilha, até mesmo quando ausente
Agora se faz presente em nossos corações.
E sai da vida para se eternizar nos anais de nossos Campos Gerais.

Dorme agora o corpo do poeta, dorme com ele os sonhos,
As quimeras, as lutas nem sempre vencidas,
Dorme a poesia que também fechou os olhos neste dia
Para ouvir as lágrimas que caem de poemas feito pensamentos.

Todos os versos são seus, querido amigo de sempre,
De minha meninice faceira, passando em sua janela
Vendo você olhar o mundo que te procurava todos os dias
E você o abraçava como o amigo que chega de uma longa viagem.

Hoje os versos são seus, para nós fica a palavra seca
Da ausência forçada e mais um canto de amor
Ao amigo, ao pai, ao homem, ao Poeta adormecido
Que cantou a vida com a força de suas mãos
E fez dela a maior poesia, porque nascida do coração.

Palmas para Palmas que teve uma personalidade entre os seus!
A ele nossos aplausos, nossos cânticos, nossa lavra...
À Família nossos sentimentos sinceros e o reconhecimento pelo homem que representa para todos nós.
Dr. José Maria de Araújo Perpétuo. Que Deus o receba e o abrace com o mesmo carinho que abraçou o mundo, enquanto viveu.

Lucy Salete Bortolini Nazaro- Membro da Academia Palmense de Letras-APAL.

Meu Livro: Quem tem Medo de Gatos? E outras estórias (Ed. Vozes)

Meu Livro: Quem tem Medo de Gatos? E outras estórias (Ed. Vozes)

Sonhos são como nuvens valsando flocos de algodão

Minha foto
Palmas, Paraná, Brazil
Quando o coração começa a viajar cedo na vida, vai se espalhando e esparramando um pedaço da gente em cada canto por onde passamos. Acho que comigo foi algo assim. Minha família sempre ficou com a maior parte, talvez, também, a melhor, mas alguns pedacinhos indiscretos foram se perdendo pelos caminhos. Quando comecei a querer recrutá-los de volta, mandei muita correspondência, escolhi a forma poemas, a forma frases, pensamentos, mas nenhuma resposta imediata. Depois, enviei contos, romance... e usei a internet com suas múltiplas doses de endereços. Comecei a perceber que o que deixei para trás não há como recuperar, mas há sim um jeito de reconstruir esse coração, com novos arranjos, novos pedaços, colhidos aqui e acolá, alguns até parecidos com o meu, e penso que posso torná-lo inteiro novamente. Continuo usando as mesmas formas, porém, com novas fórmulas e novos endereços. Estou gostando das respostas que recebo. Meu coração ainda viaja, mas agora tenho roteiro e carteira de motorista! Prof´Eta (Professora e Poeta).

PÉROLA DO UNIVERSO

Uma curva desvia o que era destino,
Uma força, um vento, um siroco menino
Um grão perdido no sideral espaço
Cria a pérola solitária do universo.

Um róseo coração saltita pelos ares
Navega em barco a vela pelos mares
Voa inquieto, solitário burbulhando amor
Enfeitando jardins verdes de colorida flor.

Há um sonho que insiste se mostrar amarelo,
O quero azul, verde ou vermelho, mas sincero
Exibindo a nave do cósmico voante que o leva
E me busca e em dreams suaves nos enleva.

Mais um risco de um vento no universo... e um grão se fará pérola...

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